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Sorgo gigante boliviano pode dobrar sua área plantada até 2021 no Brasil

Ele impressiona quem o vê cultivado na lavoura. Preenche os espaços, atinge alturas superiores a cinco metros e tem alta produtividade, conseguindo ofertar mais de 100 toneladas (t) de massa verde por hectare (ha)

Este é o Sorgo Agri 002E, variedade forrageira introduzida no Brasil em 2017 e mais conhecida como o sorgo gigante boliviano, em função de sua tecnologia e melhoramento genético terem origem no país vizinho. A cultivar tropical, com seus atributos e aplicações, é o assunto principal do Agri Contech, evento que acontece esta semana (10 a 13 de dezembro) em Indaiatuba, SP e Leme, SP, organizado pela Latina Seeds, subsidiária para os mercados brasileiro e paraguaio do Grupo Agricomseeds, detentor de toda a tecnologia.

Com dois anos no mercado brasileiro, a variedade vem chamando a atenção de pecuaristas, agricultores e setor agroindustrial por fornecer possibilidade de três aplicações distintas: uso na alimentação animal (silagem e corte/pastejo), uso na restruturação do solo e diminuição dos impactos tropicais na cultura da soja e utilização para a geração de bioenergia. A empresa promete dobrar a oferta de sementes no mercado brasileiro e trabalha com a expectativa de ampliar a área plantada de 120 mil hectares (prevista para ciclo 2020/2021) para 250 mil hectares em 2021/2022.

O desempenho a campo da forrageira chega a impressionar. Em experimentos realizados no Paraná pela G12 Agro Consultoria, sob a coordenação do engenheiro agrônomo Igor Quirrenbach, o sorgo gigante conseguiu uma produção de 105 t/ha de massa verde quando plantado na safra de verão (ao longo de 134 dias) e de 50 t/ha na safra de inverno/safrinha (ciclo de 115 dias). “Na pecuária de corte, por exemplo, um hectare cultivado com o sorgo gigante pode alimentar até oito unidades animal (ua)/ha/ano na primeira safra e cinco ua/ha na safrinha”, garante. O ganho de peso diário (GMD), segundo ele, pode variar entre 0,5 a 1,5 kg, dependendo do nível de suplementação da dieta.

Não por acaso o sorgo ocupa boa parte da programação técnica do evento que é interna (para profissionais ligados à empresa e parceiros) no primeiro dia (10/12) e aberta a convidados nos três dias seguintes. Na manhã desta quarta-feira (11/12), um painel vai discutir o impacto da genética boliviana no agronegócio da América Latina. Na parte da tarde, um amplo seminário vai apresentar e detalhar todas as aplicações do sorgo Agri 002E. Tudo isso concentrado no Hotel Royal Palm, em Indaiatuba, SP. Nos dias 12 e 13 a programação toda será em Leme, SP, com a visitação ao Campo de Demonstração de Pesquisa da empresa no Brasil. O pessoal da equipe técnica, convidados e a imprensa poderão conhecer áreas de plantio – não só do 002E, mas de dezenas de cultivares de sorgo e milho.

A Agricomseeds tem sede em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e é focada no desenvolvimento, produção e distribuição de variedades híbridas de milho e sorgo para plantio em regiões tropicais e subtropicais. De acordo com o William Sawa, diretor-executivo da Latina Seeds, a empresa está presente hoje em todos os países da América do Sul e também na África (Angola e Quênia), além de desenvolver parcerias em genética na China e nos Estados Unidos.

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